quarta-feira, 9 de abril de 2014

Extractos

Extractos, extractos do que fui, do que sou hoje do que serei amanhã.
Serei eu um extracto?
Quem serei hoje? Quem serei amanhã? Ou quem serei eu daqui a uns instantes?
Perdi-me nesta imensidão de nada, porque afinal o que é nada? E o que será tudo?
Estou farta de me rodear de um tudo que afinal é um nada, um tudo que no final é simplesmente nada.
Farta de campos verdejantes, seres arrogantes que nada têm senão a sua própria reflexão num espelho sujo no meio dum nada.

E no final este texto ficará incompleto, porque não sei quem vou ser, não sei se nada vai ser tudo ou tudo vai ser nada e a inspiração vai ter voado.
E mesmo assim serei um extracto de tudo o que fui e de do nada que sou.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

A menina


Não se trata de começar a viver, trata-se de sentir esperança.
Menina que sofreu, menina que pouco teve, menina que pouco sorri, menina que pouco faz, menina que pouco tenta chorar, não consegue.
Não consegue evitar, fica pela sombra tentando não ser vista tornando-se invísel para os poucos que a conseguem ver tenta pelo menos viver pelo pouco que a vida lhe deu, mas sempre sentiu o sofrimento no coração,  coração este que brinca com ela, bate bate bate e não pára como ela desejava.
A doença já veio com o seu rosto cansado, e as cicatrizes acompanhadas por um passado atormentado, ela sente-se só e ela não tenta viver ela não tem esperança, ela arrastasse um dia de cada vez, através da mesma rotina, ela arrastasse e cansa-se e tenta sentir a chuva de um dia cinzento, falta-lhe o tacto.
O vício foi-lhe imposto por quem outrora a acompanhava, pessoas cujo nome ela já não se lembra, pessoas que se perderam com o tempo e que a memória os seguiu.
Ela tenta chorar, mas nada sai, ela já não consegue sentir a sensação do que é chorar ela já pouco se lembra do que é sentir foi-lhe ensinado a ser assim, curava um pouco o seu coração a futuros sofrimentos e desilusões, ela não falava, passava por muda, nunca escolhia as melhores palavras, as palavras certas, as correctas, ela não falava…calava-se.
E assim ela era doente, viciada e apesar de uma menina como as outras…não sentia nada.
Vive.



domingo, 6 de janeiro de 2013

Prisioneiro.



São as vozes, as vozes que permanecem na minha cabeça e me põem doido.

Perdi o controlo sobre mim próprio, cresci num mundo rodeado de ódio, rodeado de vingança e pessoas com preferência de satisfazer os seus próprios desejos a amar.
Cresci num mundo, em que os mais favorecidos têm vantagem sobre os outros, em que crianças passam fome e andam descalços nas ruas muitas sem ter sabido o que é o conforto de um abraço ou sequer aprendido o que é amar, apenas sabem em como roubar ou o que fazer para ganhar um miolo de pão para se alimentar.
Cresci num mundo em que outras pessoas se alimentam dos seus vícios, e ignoram o amor quando muitas outras o desejavam.
Cresci num mundo em que ando só, pelas ruas ouvindo as mentiras que rodeiam o mundo, rodeado de maus olhares e críticas, em que as pessoas sentem o medo de sair de casa, em que os que não merecem ganham e os que merecem perdem.
Que raio de mundo é este? Prefiro ser prisioneiro de mim próprio, vivendo no meu mundo, ouvindo as minhas vozes, o sangue que me rodeia nem é dos que já partiram são daqueles que querem partir, sou rodeado de nojo, seres titulados de humanos que pouco se importam pelos que os rodeiam e por vezes que pouco se importam por si mesmos.
As vozes, as vozes, as vozes falam, eu ouço, dou em louco, o sangue escorre.
Quem sou eu? Quem és tu? Sou apenas um prisioneiro dum mundo perdido.

sábado, 25 de agosto de 2012

Desilusão

Desilusão...

Senti um aperto, um ligeiro aperto no peito, senti que algo dentro de mim ia explodir..porque de certo modo de todo o mundo, há sempre aquela pessoa que nunca pensamos que nos irá desiludir, aquela que nos dá o braço e o ombro, aquela que nos guia pelos vários caminhos da vida e nos limpa as feridas quando necessário. 
Todos temos aquele anjo protector que nos vem em socorro em momento de necessidade, que ouve o nosso pedido de ajuda, que nos orienta pela vida, mas no entanto para nós é o ser perfeito, o que leva a vida de maneira honesta, o que nunca erra, o  que nunca magoa.
Porém, todos temos podres dentro de nós, e eu agora vejo isso, todos nós cometemos os nossos erros, e temos as nossas recaídas, todos cometemos um pecado ou dois que pensamos ser perdoável, quando no entanto olhamos para nós a cometer um egoísmo, em que não pensamos em nos outros mas sim em nós.
Mas creio, que uma pessoa que está sempre em cima dos outros, que lhes protege, que evita que caiam, que lhes limpa as feridas, sente um certo peso em si, não consegue ser o ser perfeito que aparenta, mas no entanto mantém as suas aparências, porque apesar de não parecer por vezes, essa pessoa quer ser o anjo de alguém, quer proteger e amar.
Mas quando sabemos que podemos apanhar uma desilusão com essa pessoa magoa, mas afinal de contas a quem podemos culpar? como podemos culpar se sempre esteve lá, se sempre meteu as mãos no fogo por nós?
não podemos.

domingo, 3 de junho de 2012

Zombie.



Imóvel. Não se vê esperança em tais olhos vazios.
Perdida a guerra, não vê outra chance senão por-se em joelhos e pedir por mais uma oportunidade por almas outrora perdidas, lágrimas escorrem, gritos ecoam nos becos, as ruas esvaziam...
Os seres humanos, os tais seres humanos racionais, agora com olhares de revolta e de vingança, já nada resta senão sangue nas suas mãos, mães choram pela morte dos seus filhos agarrando corpos sem vida, culpando o seu Deus.
Os tais olhos vazios, os da criança que perdeu tudo, que testemunhou o desejo de vingança dos que a rodeavam, os que nunca mais voltaram, a mãe que a agarrou e acabou por ser levada por estranhos, "não existe esperança neste mundo louco", são essas as palavras que a criança grita, as únicas que diz, as únicas que sabe dizer, adormece com os sons de tiros, os de gritos, adormece no sitio onde brincava com os seus irmãos, onde os agarra todas as noites, sem vida.
Cada dia é uma luta, cada dia é mais um dia de sujar as mãos.


quinta-feira, 26 de abril de 2012

Dear Beloved.


Aquele sorriso parvo, que diz-se que vai de orelha para orelha, quando eu baixo a cabeça para sorrir, e tu sabes logo sabes que estou e tentar esconder o meu sorriso, porque mesmo quando estou nos meus piores momentos sempre estiveste lá com as maiores caretas e os melhores abraços.
Aqueles amuos, em que a minha teimosia vem ao de cima, e quando tentas fugir de mim, abraço-te.
As famosas borbeletas no meu estomâgo, impossíveis de explicar...que após tanto tempo ao teu lado elas ainda aparecem sempre que te vejo, sempre que te faço sorrir ou te beijo, aquela sensação esquesita que sobe dos meus pés á cabeça, que quando tou contigo o tempo pára, pára naquele instante, e mesmo sabendo que as horas estão a passar, aquele momento para mim ainda está congelado.
Quando me deito na cama de cansaço, e tu vens a meu socorro para me mimar, dás o teu peito para eu poder deitar lá a minha cabeça e acabar por adormecer.
Em tantos anos da minha vida nunca senti a felicidade que sinto agora, nunca senti estas borboletas, este sentimento esquesito, aprendi a partilhar, a amar alguém por inteiro.
Amo-te sempre Gabriel.



quarta-feira, 25 de abril de 2012

Vazio.

Lamento não escrever há muito tempo, vou tentar agora fazer um pequeno texto.

Eu vejo a falta de esperança, a lágrima a querer escorrer pela tua face.
Vejo o teu sofrimento, e luta constante, o teu falso sorriso, ouço as tuas palavras fracas e vazias.
Sofreste muito por algo que há muito já conhecia, por algo que há muito escondia, sentiste a minha falta de apoio, virei-te as costas ouvi-te chorar ouvi-te gritar por ajuda, ignorei.
Se calhar por aquele tempo realmente fui uma má pessoa, se calhar não quis mesmo saber de ti, porque as tuas decisões assombram-me, fazem-me chorar, fazem-me ficar no canto da minha cama todas as noites a pensar no que poderia ter mudado, que talvez as coisas pudessem ser diferentes se assim o quisesses, talvez até pudessem melhorar.
Sei que não pensaste por ti, pensaste em todos nós, pensaste em amor em família, em conjunto, afinal foi o que sempre quiseste, não foi?
Agora que achas que tens tudo o que tens é o que querias, porque ainda te vejo tão vazia e incompleta? 
Porque ainda te vejo com um olhar a sussurrar por ajuda, a lutares contigo própria por te achares fraca, sem encontrares armas para combater e veres-te presa por apenas mais uma das muitas jaulas que já tentaste escapar.
Sinto-me presa numa delas, sinto quatro paredes a abafar cada suspiro que dou, as minhas respirações a tornarem-se pesadas, sinto as lágrimas a correr-me a face por cada passo que dou sem olhar para trás.
Continua a ignorar cada coisa que fazes, cada decisão que tomas, podemos chamar-lhe egoísmo, mas apenas o faço porque te amo.
Só espero que te apercebas que cresci, já não sou uma pequena ignorante, eu sei das minhas acções, só não quero ficar presa como tu estás.