sexta-feira, 5 de abril de 2013

A menina


Não se trata de começar a viver, trata-se de sentir esperança.
Menina que sofreu, menina que pouco teve, menina que pouco sorri, menina que pouco faz, menina que pouco tenta chorar, não consegue.
Não consegue evitar, fica pela sombra tentando não ser vista tornando-se invísel para os poucos que a conseguem ver tenta pelo menos viver pelo pouco que a vida lhe deu, mas sempre sentiu o sofrimento no coração,  coração este que brinca com ela, bate bate bate e não pára como ela desejava.
A doença já veio com o seu rosto cansado, e as cicatrizes acompanhadas por um passado atormentado, ela sente-se só e ela não tenta viver ela não tem esperança, ela arrastasse um dia de cada vez, através da mesma rotina, ela arrastasse e cansa-se e tenta sentir a chuva de um dia cinzento, falta-lhe o tacto.
O vício foi-lhe imposto por quem outrora a acompanhava, pessoas cujo nome ela já não se lembra, pessoas que se perderam com o tempo e que a memória os seguiu.
Ela tenta chorar, mas nada sai, ela já não consegue sentir a sensação do que é chorar ela já pouco se lembra do que é sentir foi-lhe ensinado a ser assim, curava um pouco o seu coração a futuros sofrimentos e desilusões, ela não falava, passava por muda, nunca escolhia as melhores palavras, as palavras certas, as correctas, ela não falava…calava-se.
E assim ela era doente, viciada e apesar de uma menina como as outras…não sentia nada.
Vive.



domingo, 6 de janeiro de 2013

Prisioneiro.



São as vozes, as vozes que permanecem na minha cabeça e me põem doido.

Perdi o controlo sobre mim próprio, cresci num mundo rodeado de ódio, rodeado de vingança e pessoas com preferência de satisfazer os seus próprios desejos a amar.
Cresci num mundo, em que os mais favorecidos têm vantagem sobre os outros, em que crianças passam fome e andam descalços nas ruas muitas sem ter sabido o que é o conforto de um abraço ou sequer aprendido o que é amar, apenas sabem em como roubar ou o que fazer para ganhar um miolo de pão para se alimentar.
Cresci num mundo em que outras pessoas se alimentam dos seus vícios, e ignoram o amor quando muitas outras o desejavam.
Cresci num mundo em que ando só, pelas ruas ouvindo as mentiras que rodeiam o mundo, rodeado de maus olhares e críticas, em que as pessoas sentem o medo de sair de casa, em que os que não merecem ganham e os que merecem perdem.
Que raio de mundo é este? Prefiro ser prisioneiro de mim próprio, vivendo no meu mundo, ouvindo as minhas vozes, o sangue que me rodeia nem é dos que já partiram são daqueles que querem partir, sou rodeado de nojo, seres titulados de humanos que pouco se importam pelos que os rodeiam e por vezes que pouco se importam por si mesmos.
As vozes, as vozes, as vozes falam, eu ouço, dou em louco, o sangue escorre.
Quem sou eu? Quem és tu? Sou apenas um prisioneiro dum mundo perdido.