Não se trata de começar a
viver, trata-se de sentir esperança.
Menina que sofreu, menina
que pouco teve, menina que pouco sorri, menina que pouco faz, menina que pouco
tenta chorar, não consegue.
Não consegue evitar, fica
pela sombra tentando não ser vista tornando-se invísel para os poucos que a
conseguem ver tenta pelo menos viver pelo pouco que a vida lhe deu, mas sempre
sentiu o sofrimento no coração, coração
este que brinca com ela, bate bate bate e não pára como ela desejava.
A doença já veio com o seu
rosto cansado, e as cicatrizes acompanhadas por um passado atormentado, ela
sente-se só e ela não tenta viver ela não tem esperança, ela arrastasse um dia
de cada vez, através da mesma rotina, ela arrastasse e cansa-se e tenta sentir
a chuva de um dia cinzento, falta-lhe o tacto.
O vício foi-lhe imposto
por quem outrora a acompanhava, pessoas cujo nome ela já não se lembra, pessoas
que se perderam com o tempo e que a memória os seguiu.
Ela tenta chorar, mas nada
sai, ela já não consegue sentir a sensação do que é chorar ela já pouco se
lembra do que é sentir foi-lhe ensinado a ser assim, curava um pouco o seu
coração a futuros sofrimentos e desilusões, ela não falava, passava por muda,
nunca escolhia as melhores palavras, as palavras certas, as correctas, ela não
falava…calava-se.
E assim ela era doente, viciada e apesar de uma menina como as outras…não sentia nada.
E assim ela era doente, viciada e apesar de uma menina como as outras…não sentia nada.
Vive.

